Por onde anda José Maria Pinheiro? O homem que ajudou a conquistar o chão do Zeca Xibelão para o Boi-Bumbá Caprichoso

Por onde anda?

Aos 81 anos, o radialista, professor e ex-vereador José Maria Pinheiro, o inesquecível Foguete da Verdade, vive hoje com a esposa, Andréa Ferreira, no bairro Pascoal Alágio, em Parintins. A casa é fácil de reconhecer: no alto, tremulam com orgulho as bandeiras do Boi-Bumbá Caprichoso e do Botafogo de Futebol e Regatas, símbolos das duas paixões que acompanham sua história de vida.

Mesmo enfrentando o avanço do Alzheimer, Zé Maria mantém vivas na memória as lembranças do Caprichoso de antigamente, tempos em que a defesa do boi negro era feita com coragem nas ruas, no rádio e na vida pública. Aguerrido, ele utilizava seu carro de propaganda volante como instrumento de mobilização e enfrentamento contra narrativas contrárias ao boi da estrela na testa, tornando-se uma das vozes mais firmes da resistência azul e branca em momentos decisivos da história cultural de Parintins.

Figura marcante do Festival, Zé Maria Pinheiro foi radialista combativo, professor dedicado, vereador atuante, locutor do boi Caprichoso e marujeiro apaixonado. Entre suas contribuições históricas está a luta pela conquista do terreno onde hoje funciona o Curral Zeca Xibelão, espaço sagrado da nação azul e branca. Foi ainda durante seu mandato no Legislativo Municipal que apresentou o pedido oficial para a cessão da área. O requerimento foi aprovado, assegurando ao Caprichoso um território definitivo de identidade, ensaio e pertencimento.

No rádio, consolidou seu nome com comentários firmes, bordões marcantes e participação em programas jornalísticos nas principais emissoras da cidade. A postura destemida diante das polêmicas e disputas culturais lhe rendeu o apelido que atravessou gerações: “Foguete da Verdade”.

Recentemente, Zé Maria recebeu em casa a visita emocionante do Caprichoso e do toadeiro Ornello Reis. Surpreendido e comovido, resumiu em poucas palavras o sentimento que sempre guiou sua trajetória:
“O Caprichoso é tudo pra mim.”

Segundo a esposa, Andréa Ferreira, a paixão pelo boi sempre esteve presente em todos os momentos da vida de Zé Maria. Foi ele também quem colocou seu carro de propaganda volante a serviço do Caprichoso, contribuindo para a sonorização dos antigos currais, primeiro na Cordovil e, posteriormente, no espaço atual do Zeca Xibelão.

Hoje, mesmo com as limitações impostas pela doença, suas memórias mais resistentes continuam ligadas ao Festival de Parintins e às histórias do boi negro da Amazônia. E é assim que a nação azul e branca segue reconhecendo, com gratidão e carinho, aquele que ajudou a defender sua identidade com voz firme, coragem nas ruas e amor incondicional pelo Caprichoso.